Quem nunca se viu aflito para explicar a uma criança, ou a um adulto, que Deus é  um só em três Pessoas?

A criança ainda encontraria alguma lógica com as palavras que conhece: “o Pai, o Filho e…a mãe”! O certo é que sentimos a dificuldade de explicar o mistério (não deixaria de o  ser se fosse explicado?) e utilizamos comparações e analogias como a do braço humano:o Pai como o braço (origem da força), o Filho como a mão (que modela), o Espírito Santo como o dedo indicador (que aperfeiçoa).

O título desta crónica provém de um delicioso conto russo que me convida sempre à simplicidade quando penso na comunhão de Pessoas que Deus é. Conta-se que um bispo de uma remota região da Rússia, cuja diocese se compunha de numerosas ilhas, fazia a sua primeira visita pastoral de barco, conhecendo os seus diocesanos tão isolados.

Numa ilha encontrou três anciãos que o receberam e aos seus companheiros com muita simplicidade e alegria. A memória deles parecia ter-se gasto com o tempo: não sabiam que idades tinham, nem donde tinham vindo, mas, com muita alegria para o Bispo, acreditavam profundamente em Deus. Sabiam apenas uma oração mas repetiam-na constantemente: “Tu és três, nós somos três.
Louvado sejas por tudo!” Do resto, doutrina, orações, jejuns e abstinências, nada!

O bom do Bispo entendeu então que devia gastar ali alguns dias, para lhes ensinar osfundamentos da fé cristã, os mandamentos, o acto de contrição e o Pai-Nosso.
Assim o fez, com muito agrado dos anciãos, que procuraram aprender o melhor possível. Quando achou estar bem feita a sua evangelização, o bispo despediu-se, muito contente consigo mesmo. Três dias depois, numa zona de mar despovoada de ilhas, a tripulação foi sobressaltada por  três vultos que, na linha do horizonte, se dirigiam para o barco, correndo sobre as águas! Eram os anciãos.

Quando subiram para o barco, ajoelharam diante do Bispo, e pediram que lhes ensinasse de novo aquela linda oração do Pai-Nosso.

Tinham-se esquecido das palavras e, há três dias, que não conseguiam rezar nada.

 Então, o Bispo entendeu. E com os olhos cheios de lágrimas, abraçando-os, disse-lhes: “Meus queridos irmãos, quando quiserem rezar, digam:

“Tu és Três, nós somos três. Louvado sejas por tudo!”
Como entender que Deus é Trindade, se não procuramos viver da sua comunhão? Como professar a fé se ela não for, fundamentalmente, amor? Em tudo, e com Deus também, não se conhece bem sem querer amar.

publicado por catequesebarra às 14:57