Padre Carlos Alberto conta-nos o seu percurso vocacional



 
Padre Carlos Alberto

“Quando conheci Schoenstatt,
tudo mudou na minha vida”
 
 
A pedido do Timoneiro, no âmbito do Ano Sacerdotal, o P.e Carlos Alberto Pereira de Sousa conta-nos, na primeira pessoa, o seu percurso vocacional até à ordenação.

 
Sempre que me perguntam de onde sou, identifico-me como “gafanhão” e com muito orgulho, afinal a minha vida foi toda aí, os meus amigos, infância, juventude... Porém, nasci na aldeia de Visa Seca, freguesia de Rocas do Vouga, no dia 28 de Março de 1960, e lá fui baptizado e fiz a Primeira Comunhão. Sou o mais novo de nove irmãos.
Frequentei a Escola Primária da Cale da Vila e a Secundária em Aveiro (n.º 1, hoje, Esc. Sec. Mário Sacramento). Nessa altura, apenas Aveiro e Ílhavo eram opções, não existia Secundária na Gafanha da Nazaré.
 
Quando vim para a Gafanha da Nazaré, deixei de frequentar a catequese. Apenas ia à Missa, se bem que a minha mãe era muito religiosa, cumpridora dos preceitos. Dela aprendi muito desta vida de fé e também de amor à Virgem Maria. Fátima sempre esteve presente na minha vida, pela devoção que a minha mãe tinha.
 
Nunca me passou pela cabeça ser Padre até aos meus 18 anos. Quando o P.e António Maria Borges, padre de Schoenstatt, brasileiro, veio trabalhar para a paróquia da Gafanha da Nazaré, acabado de ser ordenado sacerdote, organizou uma “Páscoa Jovem” e eu participei. Gostei muito. Entretanto (esta é uma parte das mais fundamentais no meu percurso de fé), na paróquia, nos meses de Maio e Outubro, rezava-se o Terço à Nossa Senhora de Fátima. A minha mãe gostava de participar. Como a nossa casa era longe da Igreja, para não ir sozinha eu acompanhava-a. Ficava sempre nos bancos da frente e eu com ela. Ao início não gostava muito porque não podia ver a telenovela brasileira, a novidade que tinha chegado a Portugal, a “Gabriela”. Nessa altura eu gostava muito de ver televisão, era o meu passatempo favorito. Eu era muito de ficar em casa. Estando eu na Igreja com a minha mãe, era importante convidar aquele “rapaz piedoso”, que de piedoso não tinha nada, era apenas aparência.
 
Estava eu na paragem do autocarro, em Aveiro, para regressar a casa depois das aulas e aproximou-se um jovem de mim e perguntou-me se eu não queria pertencer a um grupo de jovens. Eu disse que sim e lá fui no dia e hora marcado para a Igreja. Pensava eu que era para um do estilo do “Páscoa Jovem”, mas não. Era um grupo de Schoenstatt. Nunca tinha ouvido falar de tal movimento. Não percebi nada do que disseram, mas na reunião seguinte, oito dias depois, lá estava eu. Agora sei porquê, nessa altura não.
 
Foi assim que conheci Schoenstatt. Tinha já 17 anos. De repente tudo mudou na minha vida, já não parava em casa, mas sim na Igreja. Pertencia a imensas coisas: catequista, grupo e jovens da paróquia, Juventude Masculina de Schoenstatt, leitor e metido sempre em todas as festas que organizavam os diferentes grupos paroquiais.
 
Entretanto passa pela Gafanha um seminarista que teve muita influência na minha vida, Rubens, mais tarde o nosso P.e Rubens Severino, pároco durante muitos anos. Tanto o P.e Miguel Lencastre, como o P.e António e o P.e Rubens marcaram muito a minha vida a partir daí. A experiência de comunidade que sentia na vivência deles, a experiência de Schoenstatt, a minha entrega ao apostolado tão intensa foi o que me levou aos 18 anos fazer pela primeira vez a pergunta: Será que não poderei ser um deles?
 
Essa pergunta nunca mais me deixou em paz, apesar de pelo meio terem acontecido muitas coisas, entre apaixonar-me, ir à tropa, trabalhar…
 
Parece que nunca levei muito a sério o tema, pois a decisão tardou, mas mesmo assim hoje percebo isso também como um passo de Deus na minha vida, antes não era o momento. Foi então que, na altura da celebração do centenário do nascimento do nosso fundador, o P.e José Kentenich, decidi ser sacerdote.
 
Eu continuava muito activo nas actividades de Schoenstatt e da paróquia. Ao mesmo tempo já estava a trabalhar, mas alguma coisa falhava. Na verdade, onde me sentia bem era no apostolado. Isso foi decisivo. A alegria interior por este mundo de Deus e a vida de Schoenstatt e da paróquia era como que uma realização plena para mim. Assim, no dia 27 de Outubro de 1985, dia em que coroávamos a Nossa Senhora no Santuário de Schoenstatt como Rainha, tomei a decisão. Foi de madrugada, durante a vigília que fizemos em preparação do acto que se realizaria na tarde desse dia. Faz 25 anos neste ano de 2010, data em que celebramos os 50 anos de Schoenstatt em Portugal.
 
A decisão pelos Padres de Schoenstatt foi óbvia. Era a experiência que eu tinha através dos padres que serviam a paróquia, apesar de, num momento, ter pensado também em ser diocesano.
 
Na Comunidade dos Padres de Schoenstatt, na altura da minha decisão, estava a iniciar um curso, mas não pude nele entrar por não saber ainda alemão. Entrei no seguinte, em 1988. Foi um ano de muitas vocações para os Padres de Schoenstatt, pelo descentralizando a formação, fui para o Chile e fiz o Postulado e o Noviciado na Argentina.
 
Em Março de 1990, terminado o Noviciado, foi para Muenster (Alemanha), cidade onde tínhamos o nosso Seminário. Durante os nossos estudos, realizamos um estágio pastoral. Estive durante um ano no Chile, numa paróquia à responsabilidade dos Padres de Schoenstatt. Voltei à Alemanha durante um semestre e, com a abertura de um novo Seminário da Comunidade, no Chile, fiz neste país da América do Sul o último ano dos meus estudos. Normalmente somos ordenados diáconos no lugar onde terminamos os estudos. Por isso, no dia 16 de Dezembro de 1995 fui ordenado diácono por D. Manuel Camilo Vial, bispo chileno e meu irmão de comunidade, pois pertence aos Padres de Schoenstatt.
 
Em Janeiro de 1996 regressei a Portugal. Fiz o meu estágio de diácono em Paço de Arcos e Caxias, com o cónego Armando Duarte, pároco dessas duas paróquias lisboetas.
 
No dia 29 de Julho de 1996, fui ordenado sacerdote na Igreja Paroquial da Gafanha da Nazaré por D. António Marcelino, na altura Bispo de Aveiro. Ser ordenado na minha terra e pelo bispo diocesano foi um desejo que expressei aos meus superiores e ao Sr. D. António. Para minha alegria, foi acolhido positivamente.
 

                                                                                  in schoenstatt50aveiro

publicado por catequesebarra às 18:56