Para guardar na mente, no coração e nas mãos:

 «Paulo revela-nos, no testemunho da sua vida, o dinamismo sobrenatural da evangelização: a força que brota do encontro com Cristo ressuscitado. Tudo começou na sua conversão, com a revelação pessoal de Jesus Cristo, afirmando uma verdade perene: só quem se converte a Jesus Cristo, pode ser evangelizador. »CEP

 

 

1-“Ai de mim, se não EVANGELIZAR!” Ano Paulino
 
– uma oportunidade
 
O Cardeal Patriarca exorta todo o cristão, neste ano da celebração dos 2000 anos do nascimento de São Paulo, a olhar para Paulo como:
Um modelo de conversão
Um modelo de evangelizador
Um modelo de aprofundamento da fé
Para o catequista, Paulo provoca um eco especial e profundo no “ser” e
“fazer”.
Não podemos deixar passar “este tempo de graça” e de desafios em ordem à Nova Evangelização!
 
----------------Desafios / Propostas para a catequese
 
 
No documento, Ano Paulino, uma Proposta Pastoral, a Conferência Episcopal Portuguesa afirma que «Paulo pode guiar-nos em todos os caminhos de escuta da Palavra: na celebração da Páscoa; na evangelização, como primeiro anúncio de Jesus Cristo; no
aprofundamento da fé, em processo catequético; na fidelidade a Deus, vivendo segundo as exigências da Palavra; no fortalecimento da esperança, pois toda a Palavra de Deus nos abre para o horizonte da eternidade.»
Na sua especificidade, a catequese recebe o documento como um desafio em dar continuidade ao percurso de reflexão e de resposta que tem vindo a fazer no âmbito da “Iniciação à Fé”.
Sugere-se que nos próximos tempos, com os respectivos Párocos, os
catequistas reflictam sobre alguns dos desafios apontados e desenvolvam algumas actividades nos centros catequéticos.
 
Desafios para pensar / Propostas de actividades:
 
. Entrar com mais profundidade e de forma contemplativa na vida, missão e textos de S. Paulo.
Ele “ pode guiar-nos em todos os caminhos de escuta da Palavra:
na celebração da Páscoa; na evangelização, como primeiro anúncio de Jesus Cristo; no aprofundamento da fé, em processo catequético;
na fidelidade a Deus, vivendo segundo as exigências da Palavra;
no fortalecimento da esperança, pois toda a Palavra de Deus nos abre para o horizonte da eternidade. “ CEP
 
. Deixar-se surpreender e surpreender na descoberta da vida nova em Cristo. A “ descoberta da vida nova em Cristo é uma autêntica iniciação à vida, é a iniciação cristã, chamar-se-lhe-á mais tarde. É uma descoberta, de surpresa em surpresa, até à alegria do estar para sempre com o Senhor. É uma caminhada catecumenal, porque aprofunda
continuamente a alegria do seu início: a fé em Jesus Cristo e o mergulhar n’Ele, no Baptismo.
 
O Ano Paulino oferece-nos estímulo para aperfeiçoar a nossa catequese e conceber a acção pastoral como um meio de aprofundar um processo contínuo de iniciação cristã.” CEP
Ler a Palavra e redescobrir, como Paulo, que o Evangelho é uma PESSOA e uma força para viver.
 
. Sentir a urgência e a corresponsabilidade
na missão do anúncio de Cristo
 
“A paixão por Jesus Cristo, Paulo transmitiu-a aos outros cristãos, infundindo neles o mesmo ardor pela missão. Esta torna-se, assim, expressão da caridade, na comunhão da Igreja. Paulo percebeu que toda a Igreja é chamada a ser, com os Apóstolos, corresponsável na missão. Agregou ao seu ministério cooperadores zelosos:
presbíteros, que “trabalham na Palavra e na instrução” (1Tim. 5,17), cristãos, mulheres e homens, empenhados no “trabalho do amor”
(1Ts. 1,3).
No final da Carta aos Romanos refere-se a eles com grande afecto: “Saudai Priscila e Áquila, meus colaboradores em Cristo Jesus, pessoas que, pela minha vida, expuseram a sua cabeça. Não sou apenas eu a estar-lhes agradecido, mas todas as Igrejas dos gentios” (Rom. 16,3-4).
Podemos aprender com Paulo o fundamento da verdadeira corresponsabilidade dos cristãos na missão da Igreja, aspecto de grande actualidade quando o Concílio tornou claro que a Igreja é o verdadeiro sujeito da missão e que todos os baptizados são
corresponsáveis, segundo a sua graça própria ou o ministério que lhes foi entregue.” CEP
 
.Descobrir-se e actuar como um evangelizador possuído por Jesus Cristo.
 
Criar um espaço interior de encontro
 
“Paulo revela-nos, no testemunho da sua vida, o dinamismo sobrenatural da evangelização: a força que brota do encontro com Cristo ressuscitado. Tudo começou na sua conversão, com a revelação pessoal de Jesus Cristo, afirmando uma verdade perene: só quem se converte a Jesus Cristo, pode ser evangelizador. Para Paulo tudo começou na estrada de Damasco, onde Cristo ressuscitado se lhe manifesta e lhe faz
o chamamento de pôr todo aquele zelo com que perseguia os cristãos, com os quais Jesus Se identifica, ao serviço do Evangelho, a boa-nova da salvação. “Quem és Tu Senhor?” “Eu Sou Jesus a Quem tu persegues” (cf. Act. 26,12-16). Paulo nunca mais duvidará que o Evangelho que anuncia o recebeu naquele momento. (…)
Toda a vida de Paulo se situa depois deste encontro, vive dele, em plena alegria (cf. Fil. 1,21;
Gal. 2,20), o mais é lixo (cf. Fil. 3,8);
 
“Ai de mim, se não anunciar o Evangelho!” (1Cor. 9,16)
 
– e dá testemunho dos efeitos desse encontro” (CEP)
 
Como catequista, como vivo o meu encontro diário com Jesus Cristo?
Quem é Ele para mim?
Decidi segui-Lo em todas as decisões e gestos quotidianos?
Que lugar tem Jesus Cristo no nosso grupo de catequistas?...
 
. Reencontrar o novo ardor que nasce do encontro com Jesus Cristo e com a comunidade.
Hoje, mais do que nunca, a força do evangelizador encontra-se no testemunho, na forma como se “transpira” Aquele com quem se priva diariamente.
Para o catequista, Paulo é um mestre.
 Assim, “evangelizar não é uma estratégia e não se reduz a um programa: é uma paixão de amor por Jesus Cristo e pelos nossos irmãos e irmãs.
Com Paulo, o ardor da evangelização brota da sua paixão por Jesus Cristo. O encontro com Cristo na estrada de Damasco mudou a sua vida. Aos Filipenses confessa ter sido completamente apanhado por Jesus Cristo “para O conhecer na força da Sua ressurreição e na comunhão com os Seus sofrimentos, conformando-me com Ele na morte, para ver se atinjo a ressurreição de entre os mortos” (Fil 3,10-11).
A sua vida reduz-se à identificação com Cristo: “Para mim viver é Cristo” (Fil 1,21; cf. Gal 2,20); tudo o mais é lixo (cf. Fil 3,8).
Esta identificação é com a Páscoa de Jesus, na Sua morte e ressurreição: “Nós pregamos um Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios”, mas para os que são chamados [...], Ele é poder de Deus e sabedoria de Deus” (1Co 1,23-24).
Esta paixão por Jesus Cristo e a certeza de que na Sua Cruz se decidiu o novo destino humano, geram em Paulo a urgência da evangelização, em que ele se sente como cooperador de Deus (cf. 1Co 3,9). “Ai de mim, se eu não evangelizar!” (1Co 9,16). A evangelização é o seu futuro, o sentido do tempo que lhe resta para viver, o que o leva a relativizar o seu passado (cf. Fil 3,13).” CEP
 
. Atender de forma especial e adequada aos catequizandos que não tiveram o primeiro anúncio de Cristo
 
Sendo a família o espaço privilegiado do primeiro anúncio, do despertar da fé, a análise sociológica revela, numa percentagem elevada do lares, uma ausência do religioso. A catequese não pode ignorar este facto e deve oferecer os elementos essenciais do “primeiro anúncio” aos catequizandos que não tiveram o primeiro contacto com Jesus Cristo, a Bíblia, a Comunidade Cristã, a Liturgia, a vivência da Oração, a experiência do Amor Fraterno…
 
. Alargar os destinatários das nossas catequeses.
 
Muitos dos pais ou familiares dos catequizandos fazem parte dos que vivem longe da Igreja, alheios à fé. A partir de um projecto de Trabalho com Pais, no qual se integram contactos individuais, celebrações, catequeses inter-geracionais (…), o catequista pode e deve ser um evangelizador, um provocador de espaços de encontro entre os familiares dos catequizandos e Jesus Cristo. Momentos que poderão vir a ter um papel decisivo na possibilidade de se abrir, para estes, uma nova janela sobre a fé.
 
. Viver a fé na sua dimensão comunitária
 
“Para Paulo o Evangelho é uma força de comunhão. Jesus Cristo, ao atrair cada um a Si, pela fé, deseja a Igreja onde se vive a caridade, a comunhão com Deus, por Jesus Cristo e com os irmãos. Paulo concebe a sua missão como um edificar contínuo da Igreja que Jesus Cristo, deseja e ama.” “Paulo acentua, antes de mais, a identificação da Igreja com o próprio Cristo. A união a Cristo, realizada no baptismo, é tão profunda, que a Igreja é a nova dimensão do Corpo de Cristo, a nova fase do mistério da encarnação (cf. 1Co 12,27;
Rom 12,5). Deste novo corpo, Cristo é a cabeça, porque a Igreja vive e alimenta-se da plenitude de Cristo ressuscitado (cf. Ef 1,22-23; Col 1,18; 3,19).” CEP
 
Atendendo a todo o contexto social que fragiliza e reduz os núcleos comunitários, cabe ao catequista, por um lado sentir-se membro da comunidade e enviado pela mesma em missão e, por outro lado “incorporar” o catequizando na comunidade, como o pressupõe a Iniciação Cristã. Inclusão que se realiza ao nível litúrgico, caritativo, missionário…
Este objectivo da Iniciação à fé não pode ser delegado a um segundo plano.
-------------Sugestões de actividades a desenvolver ao longo do ano
A partir dos desafios acima referidos, sugerem-se algumas actividades:
 
- Um ca com S. Paulo
 
Oferecer espaços de encontro com a palavra e pensamentos de Paulo
aos catequizandos da adolescência.
Criar espaços (teatro/ tertúlias/ debates/ expressão corporal a partir
de texto de Paulo...) para que os adolescentes tenham a possibilidade
de orientar temas de reflexão para os seus pais / comunidade.
 
- Criar ou desenvolver projectos de “Trabalho com Pais”
-Inserir progressivamente as famílias na dinâmica catequética para que
a catequese possa ser um âmbito de evangelização (primeiro anúncio
ou aprofundamento) dos que se distanciaram da fé, dos que nunca se
encontraram com ela ou daqueles que se distanciaram da vida da
comunidade cristã. Paulo pode ser um álibi para que aconteça o
encontro.
 
- Convocar os catequizandos (e famílias) para momentos fortes de encontro, além do tempo catequético semanal.
 
Espaços que ofereçam condições de vivência da Interioridade:
Tempos de retiro, tempos de oração, tempos de caminhadas, tempos de acções em favor da comunidade, tempos de debates /tertúlias…
Uma manhã, uma tarde, um fim de tarde ou fim-de-semana…
 
- Criar (como o vai sugerir a Revista A MENSAGEM) o mapa-mundo de S. Paulo
 
Desenhar semanalmente, ao longo do ano, o percurso das viagens de S.
Paulo. A cada viagem associar dados biográficos e um espaço de
encontro com os escritos de S. Paulo propostos pela liturgia Dominical
(alguns minutos a viver em cada catequese).
 
- Criar: “um dia com S. Paulo”
 
Desafiar catequizandos e famílias a participar num conjunto de
actividades ao longo de um dia: concurso temático, caça ao tesouro,
concurso de montagem de tendas (Profissão de Paulo), jogos
tradicionais… a partir dos dados biográficos e textos de S. Paulo.
(fonte: SDEC Porto)
 

 

publicado por catequesebarra às 14:27