Um velho monge todos os dias atravessa uma longa faixa no deserto escaldante para ir buscar lenha para o fogão do convento. No Verão era uma faina heróica, debaixo do sol ardente.
Descobriu, porém um pequeno oásis, uma fontezinha onde se refrescava deliciosamente.
Certo dia, o monge, para agradar mais a Deus, decidiu oferecer o sacrifício da sede
torturante e não beber ao passar pela fonte.
Enorme sacrifício!
Mas foi com grande espanto que, na noite seguinte, apareceu no firmamento uma nova estrela com um brilho muito intenso. O monge viu naquela estrela um sorriso de Deus. E daí em diante, a sua tarefa tornou-se menos sacrificada, menos dura.
Um dia, foi um jovem noviço ajudá-lo a buscar lenha. O calor tórrido fazia-o transpirar tanto que desanimava. Quando o moço viu a fonte, gritou estonteado:
- "Uma fonte, padre. “
 
O velho monge parou sem saber o que fazer: se não bebesse, também o jovem noviço não beberia e teria de fazer uma caminhada extremamente dura.
Aproximou-se então da fonte e bebeu. E o jovem bebeu feliz. O ancião regressou triste, sem contar a sua tristeza ao companheiro. Quando a noite estendeu a asa sombria, o velho monge nem ousava levantar o olhar, receando não ver a estrela.
Finalmente, olhou o firmamento e com imenso espanto e alegria viu nos céus não apenas uma estrela, mas duas estrelas cintilantes. Pareceu-lhe que Deus sorria duplamente de   satisfação pela sua atitude de caridade fraterna.
Teve mais valor aquele gesto de amor permitindo ao noviço matar a sede do que o seu sacrifício de renúncia à água. Lá diz o salmista que prefere amor, aos sacrifícios e holocaustos.
Cada expressão de amor aos outros é uma estrela que nasce no nosso firmamento.

 

  

 

publicado por catequesebarra às 15:26